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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A pública carta pessoal de Temer

Finalmente consegui ler na íntegra a carta do vice-presidente Michel Temer. É interessante ver, como, inconscientemente, ele revela que a carta tem muito de uma estratégia para "tirar o corpo fora", pois, em seu ansejo por clarificar à população que ele é diferente e, indiretamente, contrário às medidas políticas e econômicas adotadas pela presidente Dilma, ele tenta apontar motivos para sua suposta "suspeita", que se revelará convicção de falta de confiança por parte da presidente ao fim da carta, ele atropela, ao menos 5 motivos e de uma linha cronológica de estruturação de argumentos, e dispara logo na segunda causa que: "2. Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários."



Lógico que eu não tiro a razão dele de sentir-se chateado. E muito menos vou dizer que não faria o mesmo estando em seu lugar, afinal, ele tem a possibilidade de se tornar presidente/protagonista da iminente recuperação política/econômica do país, e para isso, basta observar um pouco aos sinais do Mercado e as reações populares para entender que, passado o medo da campanha eleitoral, e a confirmação do temor que direcionou a população na hora dos votos. Aquela incerteza tornou-se certa, e agora, espera-se que ao tomar um caminho diferente do que veio sendo mantido seja uma opção aceitável. Certamente, levantar-se e dizer "Eu não participei nisso porque não concordava" é um discurso bastante próprio para quem pretende dizer que fará diferente.

Além disso, a população já mostrou, em 2002, que, quando a crise chega, qualquer opção que aparente agir na contramão do momento é bem-vinda. Vimos isso quando FHC enfrentou a crise. Esse senhor, muito inteligente, não conseguiu esticar o governo do seu partido, porque o país passou por uma situação quase idêntica a atual, inflação alta, desemprego, aumento de impostos, etc... Foi nesse momento que a população aceitou que a linha de pensamento diferente seria o açoite mais brando, o qual estaria disposta a aceitar, então, resolveu-se dar um rumo diferente, e eleger o Lula.

Concluo, com tudo, que não há o lado do bem ou o lado do mal na política, há apenas lados capazes de decidir diferente em cada situação. A corrupção está aí desde muito antes de nascermos, assim como a ignorância e a hipocrisia. Hoje vemos tudo isso mais escancarado, porque é a Internet que nos mantém informados, não cartéis midiáticos em conluio estatal. Ninguém sai de uma crise como entrou, e nós, brasileiros, temos o hábito de buscar lições prontas, que só se obtêm, pós resolução dos problemas, por isso, poucos transformam a crise em momento de oportunidade, oportunidade de aprender algo e de crescer. Agora vamos mudar, até a próxima crise chegar, se instalar e se intensificar, para mudarmos novamente, ao invés de mudarmos definitivamente os mecanismos de prevenção e controle de crise, que, pelo que tenho acompanhado há mais de 20 anos, sempre se mostraram insuficientes.

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